sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Salto - Olimpíadas 2008 - Primeiro dia

Algumas surpresas neste 1º dia de competição e classificação por equipes.
A primeira e inesperada surpresa foi o desempenho dos alemães. Não vou dizer que não torci contra, mas foi realmente fora do comum! A equipe formada por estrelas européias desabou na pista de Sha Tin. Ahlmann e Ludger fizeram dez pontos, Marco e Meredith seis. Com isso, praticamente deram adeus às chances de medalha por equipes, já que começam a disputa com desvantagem na ordem de entrada e sem a oportunidade de traçar estratégia.
O Brasil foi muito bem. Pedro Veniss, o primeiro brasileiro a entrar, fez pista limpa dentro do tempo e com muita tranquilidade. Bernardo Alves, o segundo brasileiro, também fez limpa limpa, dentro do tempo. Camila Mazza, a terceira a entrar, e pela primeira vez em uma Olimpíada, mostrou muita calma e atenção conduzindo seu cavalo Bonito Z com destreza e explorando bem a pista. Infelizmente, no último obstáculo cometeu uma falta na entrada e terminou seu percurso com uma falta por excesso de tempo. O último brasileiro a entrar foi Rodrigo Pessoa. Também com calma, conduziu Rufus explorando a pista, preocupando-se somente com os obstáculos. Fez pista limpa mas levou uma penalidade por excesso de tempo.
Com este resultado o Brasil ficou com a segunda colocação, empatado com o Canada e a Suíça. Em primeiro ficou os EUA que têm uma equipe franca favorita ao ouro, tanto por equipes, quanto no individual.
Acredito plenamente numa medalha por equipes. Os brasileiros estão muito bem orientados pelo sábio Mestre Nelson Pessoa, além do mais, a qualidade deles é indiscutível e a Alemanha caiu!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Adestramento - Olimpíadas 2008



Às 19:30 (horário de Hong Kong), a amazona Luiza Almeida fez sua estréia como a atleta mais jovem na história olímpica a competir no hipismo e, embora tenha confessado que não foi a melhor prova feita por Samba, o Brasil deve se orgulhar de seu desempenho, com a média de 60,833%.
Na verdade, o segundo e o terceiro conjuntos a entrarem na magnífica arena de Sha Tin eram Lusitanos, sendo o primeiro, Galopin de la Font, montado pelo português Daniel Pinto. Em 2007, esse conjunto causou grande surpresa ao vencer a final de consolação da Copa do Mundo de Adestramento, em Las Vegas, mas, naquela ocasião, faltou um pouco de energia nas seqüências de passagem e piaffe. Da mesma forma, a pirueta foi um pouco pesada e a linha final de passos reunidos transpareceu cansaço. No entanto, a reprise foi realizada corretamente, sem erros, em um total de 63,083%.
No mundo do Adestramento internacional, é difícil compreender como Luiza chegou onde chegou em poucos anos, mas quando ela entrou na arena, um silêncio tomou conta dos espectadores, sendo ela o centro das atenções de todos. Na verdade, Luiza se mostrou muito calma, iniciando sua apresentação com uma ótima série de movimentos reunidos, durante a primeira seqüência de passagem e piaffe. Houve uma leve hesitação seguida ao segundo piaffe, mas o conjunto executou um bom galope extendido e, apesar de boas transições na diagonal com mudanças a dois tempos, aconteceram alguns erros que lhes custaram pontos. Felizmente, as mudanças a um tempo foram sem erros e o conjunto terminou a prova extremamente bem, apresentando uma cadência regular e boa suspensão durante o final da passagem e piaffe.
“Estou muito, muito feliz. Eu somente entrei na pista e sabia o que eu tinha que fazer para dar o meu melhor e mostrar que a idade das pessoas realmente não interessa, e o mais importante é o trabalho que eu fiz. Esta não é a melhor prova que já fizemos. Sei que o meu cavalo pode fazer muito melhor, mas como primeira vez (olímpica), acho que foi realmente bom. É ótimo estar aqui, por isso estou muito satisfeita.”
Comentando sobre sua experiência em Hong Kong, Luiza disse: “Eu tenho aprendido que realmente preciso manter a calma, como sempre, em todas as competições e eu realmente tenho que confiar em meu cavalo. Neste ponto, estou feliz porque normalmente ele está muito nervoso, mas, na realidade, ele esteve calmo e, então eu só precisei ficar focada, tentar fazer o meu melhor e seguir em frente.”
Em relação ao ambiente na arena, Luiza admitiu: “Foi incrível, realmente incrível. Samba foi bem. Eu pensei que ele fosse ficar mais nervoso com o público, e é claro que ele poderia fazer melhor, mas como eu disse, sou muito feliz por estar aqui, e ele é muito jovem, tem apenas nove 9 de idade.”
Leandro Aparecido e Oceano do Top tiveram um bom desempenho e ficaram com 60,125%.

Jean Llewelliyn - Hong Kong

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Indignação nas Olimpíadas

Hoje, 11/8, na Inspeção Veterinária realizada no Centro Hípico de Shatin, em Hong Kong, sede da disputas hípicas nas Olimpíadas 2008, o cavalo Nilo V.O.,montaria de Rogério Clementino da Silva, foi cortado da equipe brasileira de Adestramento nas Olimpíadas de Pequim “por irregularidades na mão esquerda”, segundo a comissão veterinária.
Ainda consternado com o veto, Victor Oliva, proprietário e criador de Nilo VO, fez um comunicado emocionado em que agradeceu a todos que tiveram participação da qualificação do conjunto e já antecipando o projeto rumo à Olimpíada 2012.
“Isto nos deixou profundamente tristes. Foram três anos de um trabalho extremamente bem-feito e por este trabalho gostaria de agradecer a todos os professores, técnicos, imprensa e dirigentes da ABSPL – Associação Brasileira de Criadores do Puro Sangue Lusitano, CBH – Confederação Brasileira de Hipismo e FPH – Federação Paulista de Hipismo”, declarou Oliva.
“Meu agradecimento especial ao Neimar Roncati, nosso excelente veterinário, ao Johan Zagers, nosso excepcional técnico, e a toda a equipe da Coudelaria Ilha Verde. Agora, vamos torcer pela Luiza Tavares de Almeida e pelo Leandro Aparecido da Silva que certamente com seus cavalos Lusitanos farão um ótimo trabalho”, acrescentou o proprietário de Nilo V.O. e patrocinador do cavaleiro Rogério.
“Rogério e Nilo V.O. foram os grandes protagonistas deste sonho olímpico com seu talento e dedicação. Este foi apenas o começo de um grande projeto. Amanhã, depois que nos revigorarmos desta tristeza, vamos começar o projeto Londres 2012.”
Já ontem, 10/08, Nilo VO havia feito a primeira inspeção, mas a comissão veterinária das Olimpíadas e o júri de campo pediram que voltasse para 2ª inspeção. Os juízes alegaram que o animal apresentou um trote irregular. Estes procedimentos são rigorosos porque têm o objetivo de resguardar a sanidade e o bem-estar dos animais. A decisão é irreversível em função das regras da modalidade.
O chefe da equipe brasileira de adestramento Cel. Salim Nigri e o veterinário das equipes brasileiras de hipismo Thomas Wolff não concordaram com a decisão. “Foi um baque muito grande, terrível. O Rogério é uma pessoa querida e está todo mundo muito triste. O cavalo realmente não havia se apresentado bem ontem, 10/8, na inspeção e ele seria reavaliado hoje. Nesta 2ª inspeção, ele se apresentou muito melhor e tinha condições de competir”, lamentou Nigri.
Segundo Wolff, “a decisão surpreendeu não só aos brasileiros, mas também a outras delegações. Ninguém esperava que o Nilo fosse reprovado. Infelizmente a decisão deles é definitiva”, completou Wolff.
O país competiria pela primeira vez por equipes em Olimpíadas no Adestramento e esta também seria a primeira participação de um cavaleiro negro nas modalidades hípicas na história dos Jogos.
Com a baixa de Rogério Clementino/Nilo V.O, o Brasil irá igualar a sua participação nas edições de Munique 1972 e Sydney 2000, quando competiu individualmente. O direito inédito de ir aos Jogos Olímpicos na prova por equipes foi assegurada com a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007. Rogério Clementino fez parte do time que subiu no terceiro lugar mais alto do pódio no Pan, ao lado de Luiza Almeida e Renata Rabello. Agora o Brasil competirá no individual com demais integrantes da equipe brasileira: Luiza Tavares de Almeida com Samba e Leandro Aparecido Silva montando Oceano do Top. A estréia será nesta quarta-feira (13/08) às 8:15h (horário de Brasília e às 19:15 – horário de Hong Kong).

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Guega Protesta

Serguei Fofanof, o Guega, decidiu levar a público a sua indignação pela forma como foi cortado da equipe brasileira de CCE.Guega criticou a comissão técnica brasileira e atribuiu sua exclusão ao descumprimento de regras por parte da CBH, o que acabou favorecendo o atleta e Ten. Cel. Ex. Jeferson Sgnaolin e o seu cavalo Escudeiro do Rincão. "Criaram regras e eles mesmos não cumpriram! Criaram uma seletiva na França sem os requisitos elementares de uma competição, sem controle antidoping, foi uma prova nacional combinada, e não um Concurso Completo Internacional. Uma prova não oficial e sem regulamentação da CBH e FEI., pois nem consta no passaporte do animal, como é determinado. Além disso, usaram o critério objetivo para definir o quinto cavaleiro." De acordo com ele, a prova na França foi amadora. "Durante a minha reprise de adestramento o sistema de irrigação da pista foi ligado e minha prova foi interrompida até que desligassem os jatos que assustaram o cavalo. O Adestramento é regido pela concentração, e isto não aconteceu."Primeiro colocado nas três eliminatórias no Brasil, Guega foi excluído pelo critério objetivo, seu cavalo refugou diante de um obstáculo. "A minha convocação poderia ter sido pelo critério subjetivo, mas no meu lugar vai o 9º colocado do ranking", atribuindo o fato ao favorecimento do chefe da equipe, Cel.Ex. Cyro Rivaldo, ao colega Ten.Cel.Ex. Sgnaolin. ( continua...)

Continuação

"Curiosamente estão fora da equipe o primeiro, o segundo e o quinto melhores do ranking. Fomos contra essa disputa na França pois ela não atendia às normas, mas fomos obrigados a assinar um documento concordando. Meu cavalo refugou nesta seletiva, mas se fosse assim, o convocado nem deveria participar dela, pois refugou em todas as seletivas aquí no Brasil. Se houve favorecimento? Acho que nem devo responder, está claro diante de tanta coisa errada!"
"Nem em currículo, nem em resultados o Cel. deveria ficar com a vaga, pois nunca foi superior a mim e nem ao Jesper Martendal, que também foi cortado."
"Na hora de decidir ir para a França, usaram o critério subjetivo, na hora de decidir a equipe olímpica, usaram o critério objetivo para favorecer alguém. Não podiam ter descartado os resultados aquí no Brasil."
Fofanof enviou uma carta ao presidente da CBH mas não houve resposta.

Fonte: Jornal "A Cidade"

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Olimpíadas 2008 e a difícil missão brasileira


Infelizmente temos que ser realistas: as chances de medalha no hipismo são bem remotas.
O hipismo brasileiro vem crescendo muito nos últimos anos, os negócios em torno do esporte também, e o que é melhor, as pessoas têm se mostrado mais interessadas. Os grandes criadores estão investindo bastante em pesquisas, manejo correto, treinamento dos animais e o mais importante: nos cavaleiros.
Além da criação se profissionalizar cada vez mais, os ginetes também têm procurado se aprimorar. Embora a maioria ainda "engatinhe" na equitação, temos vistos muitas pessoas se preocupando com a equitação aquí no Brasil. Eu, particularmente, criei este blog com a finalidade de contribuir em alguma coisa com este esporte nobre e milenar, mas vejo que há também muita gente que contribui ensinando a equitação moderna e tentando mudar as diretrizes do hipismo por aquí.
Temos muitos cavaleiros(as) que vão pra Europa e retornam nos passando os ensinamentos adquiridos nos Maneges de lá. Há também alguns que guardam os segredos para sí, estes infelizes certamente verão suas carreiras encurtadas.
A profissionalização do hipismo no Brasil ainda é lenta, mas o assunto agora é Olimpíadas, vamos deixar o primeiro para depois.

Nesta Olimpíada teremos grandes cavaleiros, todos que estão na equipe brasileira possuem grande habilidade e experiência internacional, exceto a equipe pioneira do Adestramento, que pra mim já é vitoriosa.
Mas o problema então qual seria?
Eu respondo:
São dois: o conjunto e os adversários.
Os conjuntos brasileiros são muito recentes.
No salto, Rodrigo pessoa entrará com Rufus, um KWPN de boa técnica mas que precisa desenvolver um pouco mais de força e velocidade. Acredito que futuramente possa trazer mais alegrias. Por enquanto, não vejo muitas possibilidades de sucesso em provas fortes.
Acostumado com a sela de Baloubet, um dos melhores cavalos de todos os tempos, e que foi sua principal montaria por uma década e lhe deu seus principais títulos, Rodrigo Pessoa ainda tenta formar conjunto com Rufus.
Doda, na minha opinião o que terá melhor chance nesta Olimpíada, é o brasileiro melhor colocado no ranking da FEI. Sua égua Picolien, KWPN , é excelente e os dois estão melhorando a cada concurso e buscando uma sintonia perfeita.
Bernardo Alves é um bom cavaleiro, mas o animal que levará para Hong Kong, Chupa Chup 2 ainda não é o ideal para grandes provas, seu principal cavalo, o Canturo, vem se recuperando de uma lesão e não obteve bons resultados.
A quarta integrante da equipe é a Camila Mazza, a única e merecida estreante em Olimpíadas. Sua boa participação nas seletivas aquí no Brasil teve seguimento na Europa. Sempre constante, demonstrou confiança e conseguiu sua vaga com o Sela Belga Bonito Z, um excelente cavalo que se recuperou de uma doença neurológica e voltou a saltar em 2007 obtendo ótimos resultados logo de cara. Um animal com boa força, corajoso, técnico e, na minha opinião, o melhor cavalo em atuação no Brasil. Estão ainda na disputa por uma vaga: Pedro Veniss, Luis Felipe Azevedo, Totty e Yuri Mansur.
Os nossos concorrentes estão dois passos na frente. Possuem excelentes cavalos, bem treinados e com conjunto já formado. Sem contar a vasta experiência em provas deste nível.
Para mim, a equipe favorita é a da Alemanha. Formada por Meredith Beerbaum, excelente amazona, de muita técnica e frieza, nº1 do ranking da FEI, com seu cavalo Shutterfly, um Hanoveriano muito forte, experiente e rápido serão candidatos ao ouro no individual; Ludger Beerbaum, que dispensa comentários, montará All Inclusive, um Westfallen rápido, forte, técnico e corajoso, também candidato ao ouro individual e Christian Ahlmann/Cöster, Marco Kutsher/Cornet Obolensky são conjuntos magníficos.
A Inglaterra com John e Michael Whitaker, Tim Stockdalle e Ben Maher também são favoritos por equipes e darão trabalho no individual.
Os EUA com Beezie Maddem/Authentic, rápidos e técnicos, favoritos ao ouro; Laura Kraut/Cedric; McLain Ward/Saphire; Will Sinpson/El Campions serão favoritos ao ouro individual e por equipes.
Continua...



A Holanda, que ainda não está formada, mas possui nada menos que Albert Zoer, que se machucou mas pode se recuperar, Angelique Hoorn e Gerco Schröder, que são favoritos no individual e por equipes.
Ainda temos Steve Guerdat - Suíça; Dennys Linch - Irlanda e outros.

No Adestramento o favoritismo é total da Alemanha. Seus cavalos são superiores, suas reprises são perfeitas, técnicas e friezas acima do normal...enfim, é ouro na certa! ( será que vou acertar! rsrsrs). Quem poderá e irá incomodar será a Holanda, seguida pela Dinamarca e Suécia.
A excelente alemã Isabell Werth e seu cavalo Sathmo é favorita ao ouro no individual juntamente com fortes concorrentes e igualmente espetaculares, como Heike Kemmer, Adelinde Cornelisem e Anky van Grusven, as duas últimas da Holanda e Andreas Helgstrand da Dinamarca, entre outros.
Os brasileiros Luiza Almeida e Rogerio Clementino são novatos ainda e Leandro Aparecido, o mais experiente, conseguiu sua vaga no último minuto do segundo tempo.
Seus cavalos são todos Lusitanos nascidos e criados em território nacional, com excessão de Samba da Luiza, que é português. São cavalos esforçados e talentosos que ainda vão melhorar com o treinamento.
Já estamos fazendo história! Rogerio é o primeiro negro nesta modalidade em Olimpíadas e Luiza a mais jovem de todos os tempos. Sem contar a participação inédita dos nossos cavalos Lusitanos, inclusive a de Relâmpago do Retiro que integrará a equipe da Australia.
Rogerio é um vitorioso. Brilhante cavaleiro, disciplinado, esforçado e talentoso tem muito a render ainda.
Luiza, com apenas 16 anos é uma jóia a ser lapidada. Com certeza, em breve, estará entre os top do Mundo. Já está entre os melhores, pois participará de uma Olimpíada. Mas seu talento é gigante diante do pouco tempo que pratica adestramento.
Leandro é muito talentoso, dedicado e humilde. O mais experiente da equipe ainda está formando conjunto com o excelente garanhão Oceano do Top.

E por fim o CCE.
O nosso querido Guega, Seguei Fofanoff, será apenas reserva desta vez. Cavaleiro que já participou de outras Olimpíadas e de Panamericanos não conseguiu bons resultados na Europa.
A equipe formada por André Paro, Fabrício Salgado, Jeferson Sgnaolin, Marcelo Tosi e Saulo Tristão está numa crescente, mas as chances de medalha são poucas.

Mas o grande diferencial nesta Olimpíada será o preparo físico dos cavalos. Com o clima muito quente e a umidade extremamente alta, os animais perderão rendimento e aqueles que estiverem melhor preparados para este clima é que sairão vitoriosos.
Agora só nos resta torcer!
Mas não devemos nos esquecer de que o Brasil já faz parte do seleto grupo de sete países que terão representantes nas três modalidades. Essa é a prova de que o hipismo está crescendo e está no caminho certo!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Coisas De Minas Gerais




Viajando pelo interior de Minas, o sujeito sente seu carro falhar e, sem alternativas, pára no acostamento. Ele não entende nada de mecânica, mas como não há nada para se fazer, ele abre o capô, mexe de lá, mexe de cá e não chega a nenhuma conclusão, até que ele ouve uma voz misteriosa:

- Foi o cabo da vela que se soltou!

Ele olha para todos os lados, mas não vê ninguém e a voz insiste:


- Veja o cabo da vela. Deve estar solto!


Novamente ele não vê ninguém, além de um cavalo que estava junto à cerca. Então ele examina o cabo da vela e confirma: alí estava o defeito!
Aliviado, ele liga o carro e segue o seu caminho.


Logo adiante pára em um boteco na beira da estrada para tomar um café e resolve contar o acontecido. Um dos presentes pergunta:


- De que cor era o cavalo?


- Preto! - responde ele.


- Uai sô... cê deu sorte... - emenda outro caipira


- Purque o cavalo branco num intendi nada di mecânica!



quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aprenda primeiro; salte depois


“Sabe quantos talentos agente perde por falta de atenção ?” Li esta frase em uma camiseta, certamente esta mensagem deveria levar o leitor pensar em algo muito diferente do que pensei, mas alguém já se deu conta da quantidade de cavalos e cavaleiros que nosso esporte perde simplesmente por falta de atenção, ou melhor, por falta de conhecimento?
Infelizmente, praticar hipismo não é simplesmente sentar-se sob o dorso de um cavalo e colocá-lo frente ao obstáculo para que salte. Há um conjunto de conhecimentos básicos imprescindíveis , sem os quais o cavaleiro não poderá sequer iniciar a prática de hipismo, se não souber, ele certamente estará praticando um outro esporte, não hipismo. Estes conhecimentos têm sido negligenciados pela grande maioria dos instrutores que se dedicam à formação de jovens cavaleiros, na maioria das vezes por não saberem, por nunca terem sido adequadamente treinados para esta função, outras, sucumbem a pressão dos pais dos cavaleiros e atropelam o processo de aprendizado, muitos pais querem ver seus filhos competindo e ganhando, mas não permitem que instrutor realize o processo no tempo certo.
Num esporte onde a comunicação entre a “equipe” não é verbal, cada detalhe faz muita diferença. O cavalo aprende a “ouvir” nossos movimentos, interpretá-los e acatá-los. Portanto, temos que saber o que e porque estamos fazendo e o como queremos que o cavalo execute.
Sentar-se na sela com equilíbrio, atrapalhar o menos possível a naturalidade de movimentos do animal, entender o mecanismo do salto do cavalo e até seu campo de visão, são alguns dos aprendizados básicos que o praticante de salto deve saber.
É absolutamente flagrante a diferença entre um cavaleiro que sabe e entende os porquês do que faz sob um cavalo e aquele que simplesmente foi jogado sob a sela e mira os obstáculos sem a mínima noção do esporte. Este segundo grupo, a princípio se diverte mais e tem mais resultados porém o risco de sofrer um acidente é muito maior e, muito rapidamente tudo muda, sente-se perdido, sem entender porque num dia seu cavalo saltava e ganhava e no outro simplesmente se recusa.
O pior, é que quando chega neste ponto, toda a ira e frustração são descarregadas no pobre cavalo, que não pode se defender. Mas logo aparece um dos gênios de plantão que vai certamente dar a solução para o problema : “Este cavalo não presta, você tem que comprar um melhor”. E lá vai o incauto atrás de um cavalo caro que pensa irá resolver seu problema. Como se fosse um carro, o cidadão acha que comprando o melhor estará se habilitando ao sucesso, a vitória. Mas, após algum tempo o bom e caro animal também vai começar a ter problemas com seu cavaleiro, não vai entender as ordens desconcertadas e voltará o sentimento de frustração, de fracasso.
Pois bem, neste ponto alguns desistem, outros seguem gastando cada vez mais dinheiro trocando freqüentemente de cavalo. Veja quantos talentos perdemos nesta trajetória, ex-cavaleiros decepcionados e frustrados e cavalos traumatizados irrecuperáveis.
É preciso criar a consciência de que aprender, com método, com pessoas capazes, minimizando riscos de acidentes é a única maneira de se chegar ao hipismo, nas outras situações o que se aprende é outro esporte, bem longe da equitação.


Texto de Ivan Camargo

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Reprodução - Para Quê e Porquê?







A qualidade é um valor comercial. Para verificar este facto basta-nos observar todos os anúncios a automóveis, computadores e champôs. Isto verifica-se também no mundo do cavalo, factor que podemos constatar assistindo a um leilão de cavalos por essa Europa fora e observando os que atingem preços mais altos - constata-se facilmente que são os de alta qualidade.
Ultimamente os criadores procuram garanhões muito cotados em publicações da especialidade, chegando mesmo a navegar na Internet e a ver vídeos de diversos padreadores de qualidade para fazerem a escolha mais apropriada e rentável.
No entanto, entanto, e antes de penetrarmos neste processo, interroguemo-nos se valerá realmente a pena pôr a nossa égua a criar?
Esta pergunta pode acabar por evidenciar revelações chocantes a muitos proprietários, mas é conveniente que as pessoas em cause estejam devidamente elucidadas.
Não foi há muito tempo, que o excesso de produção de cavalos de qualidade inferior, fizeram com que os preços caíssem em espiral – isto sucedeu nos anos 80 e 90. Por vezes verificamos que a produção pode exceder a procura, muito particularmente quando a falta de qualidade contribui para o aumento de produção.
Não é nada provável que éguas de fraca qualidade produzam poldros de qualidade ou que possam vir a dar qualquer lucro. Existem muitas razões aceitáveis para produzir um poldro, mas nenhuma razão válida para produzir um poldro de má qualidade. Os proprietários que aspiram a ser criadores devem avaliar criticamente as suas éguas no que diz respeito a pedigree e reprodução: se obteve bons resultados nos campos de provas, se a sua conformação é boa, se o temperamento é adequado e se tem um pedigree aceitável, então tem probabilidades de obter um bom produto. Se a resposta às perguntas feitas for negativa não é provável que consiga um bom poldro.
As éguas com 16 anos ou mais têm uma menor capacidade reprodutiva assim como as éguas utilizadas intensivamente em desporto. Pode não ser rentável por éguas mais velhas a criar, muito particularmente se não produzirem poldros nos dois anos anteriores.
A genética tende sempre para a qualidade média, razão pela qual não deve aspirar a ser criador se a sua égua não apresentar qualidades superiores.
Está provado que a habilidade, a capacidade atlética, a velocidade e os andamentos são hereditários, acreditando-se que a égua contribui mais de 50% na formação do poldro. É devido a isso que um cavalo só é intitulado de meio irmão se descender da mesma égua - não se diz que um cavalo é meio irmão de outro por ser filho do mesmo garanhão.
A mãe tem a maior influência possível sobre o poldro. É ela que o cria. O poldro nunca chega a encontrar-se com o pai, e por esse motivo o poldro adquirirá os hábitos da mãe, na hora da ração, na forma de se relacionar com os outros no campo ou seja, ser mandão ou mauzinho, passivo ou dominante, ou então introvertido e medrosos. Também adoptará a atitude da mãe no que se refere a maneio.
Por todos estes motivos, se começar com uma égua do seu agrado e a levar a ser coberta por um garanhão também do seu agrado, é provável que obtenha como resultado um poldro especial. Se for proprietário de uma égua puro sangue, de boa linhagem de obstáculos ou que tenha provado ser um bom animal de fundo, que tenha sido utilizada em corridas enquanto jovem e que depois se tornou num bom animal de CSO, e a levar a um bom garanhão, vai concerteza obter um poldro que poderá vir a prestar boas provas em CSO ou CCE. Também pode demonstrar aptidão para dressage.
Os padreadores podem passar à sua descendência, tamanho, conformação, alguma habilidade atlética, velocidade etc. mas nem sempre. Se a sua égua tiver uma conformação óssea delicada, o facto de a levar a um garanhão com muito osso não querer dizer que vai obter um produto intermédio.
Provavelmente obterá um determinado número de poldros pequenos antes de conseguir um que pareça ter o tamanho certo.
Não crie de uma égua que tinha dificuldade em executar esta ou aquela função, que se mostrava demasiado quente, cujos andamentos não eram famosos, ou que apresentou lesões demasiado cedo.
É óbvio que todos os cavalos têm este ou aquele problema perfeitamente perdoável. Tudo é perdoável se o cavalo for um "crack" nos outros aspectos.
Se for proprietário de uma égua excelente mas um pouco pequena, factor que o obrigava a esforçar-se muito para saltar a determinado nível que deu sempre o seu melhor, pode tentar melhorar os seus produtos comum garanhão um pouco maior, que tenha um bom recorde de endurance e velocidade provado consistentemente ao longo dos anos. Assegure-se de que o padreador que escolher tem qualidades que faltam à sua égua mas, esteja preparado para aceitar um poldro que não seja o seu ideal.
É imperdoável numa égua a birra de apoio (engolir ar) uma vez que ela passa o vício a outros. O seu próprio poldro pode não adquirir o vício mas qualquer um da manada o pode adquirir.
O simples facto de você ter uma égua e de esta se poder reproduzir não implica que o deva fazer.

Fonte: Equisport