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sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Salto de Obstáculos e a Triste Realidade


Já faz tempo que observo e comento sobre os caminhos da modalidade de Salto de Obstáculos aquí no Brasil.

Nos últimos dias chegaram para mim dois cavalos, de excelente linhagem para o Salto, com ótima morfologia, musculatura bem evidente e, claro, avaliados em Euro... Mas a questão é:

- Em que estado chegaram?

Bem, aí já é uma longa história de surras e mal treinamento....

Temos visto ultimamente um grande número de adeptos a essa modalidade secular e tradicional. Temos visto também um enorme avanço em nossa criação de cavalos de esporte, a ponto de não diferirmos em quase nada dos Europeus, a não ser num ponto crucial: o TREINAMENTO.

Todos nós, quando iniciamos nesta modalidade, temos os nossos anseios. Uns querem apenas passar um agradável fim de semana com seu animal para se refazer da semana extenuante de trabalho. Outros querem uma adrenalina a mais em suas vidas, querem se superar, vencer desafios e tornarem-se bons atletas amadores. Outros porém, fazem disso seu sustento e vivem intensamente o esporte.

Não há maior prazer neste esporte que montar um cavalo bem trabalhado, com saúde de ferro, que responde prontamente a todos os nossos comandos, etc. Infelizmente não é o que ocorre nos grandes Centros Hípicos deste país.

Alguns cavalos, mesmo que mal montados, conseguem se destacar em concursos e isso prova que este belo animal é quase que naturalmente preparado para isto. Alguns conseguem até mesmo com músculos subdesenvolvidos e cheios de dores, o que demonstra o grande coração que possuem.
Mas, e sempre tem o mas, no primeiro refugo ou desvio o que ocorre??
Chicotadas e mais chicotadas, isso sem falar em outros métodos comumente alardeados.
Ocorre que o coitado do animal não sabe falar, então se expressa como pode e a melhor forma de se expressar é refugar e desviar do obstáculo no intuito de demonstrar ao cavaleiro que algo está errado com ele.
Infelizmente o destemido cavaleiro não pensa dessa forma e nossos cavalos estão cada vez mais arruinados! E nossos cavaleiros amadores e de final de semana?? IIIhhhh... esses estão largados a procura de um cavalo ideal que nunca chega, ou quando chega custa caro porque foi trabalhado por cavaleiros europeus ou por poucos brasileiros que aprenderam a linguagem do cavalo.

Porquê nossos cavalos não duram mais do que dois anos no auge dos concursos?

Se alguem souber de algum animal que recentemente se destacou em provas fortes por dois anos seguidos que me apresente!

Vamos fazer como os europeus e os americanos. Vamos trabalhar mais o plano, com muito adestramento e vamos deixar o salto em segundo plano, pois isto ele faz por natureza!
Vamos entender melhor a linguagem deles, ela é muito clara pra quem gosta do que faz!

Ah! Já ia me esquecendo...
Os dois cavalos estão sendo muito bem recuperados com muito adestramento, relaxamento muscular e dorsal, trabalho na guia e.... muito amor, principalmente no que fazemos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Olimpíadas 2008 e a difícil missão brasileira


Infelizmente temos que ser realistas: as chances de medalha no hipismo são bem remotas.
O hipismo brasileiro vem crescendo muito nos últimos anos, os negócios em torno do esporte também, e o que é melhor, as pessoas têm se mostrado mais interessadas. Os grandes criadores estão investindo bastante em pesquisas, manejo correto, treinamento dos animais e o mais importante: nos cavaleiros.
Além da criação se profissionalizar cada vez mais, os ginetes também têm procurado se aprimorar. Embora a maioria ainda "engatinhe" na equitação, temos vistos muitas pessoas se preocupando com a equitação aquí no Brasil. Eu, particularmente, criei este blog com a finalidade de contribuir em alguma coisa com este esporte nobre e milenar, mas vejo que há também muita gente que contribui ensinando a equitação moderna e tentando mudar as diretrizes do hipismo por aquí.
Temos muitos cavaleiros(as) que vão pra Europa e retornam nos passando os ensinamentos adquiridos nos Maneges de lá. Há também alguns que guardam os segredos para sí, estes infelizes certamente verão suas carreiras encurtadas.
A profissionalização do hipismo no Brasil ainda é lenta, mas o assunto agora é Olimpíadas, vamos deixar o primeiro para depois.

Nesta Olimpíada teremos grandes cavaleiros, todos que estão na equipe brasileira possuem grande habilidade e experiência internacional, exceto a equipe pioneira do Adestramento, que pra mim já é vitoriosa.
Mas o problema então qual seria?
Eu respondo:
São dois: o conjunto e os adversários.
Os conjuntos brasileiros são muito recentes.
No salto, Rodrigo pessoa entrará com Rufus, um KWPN de boa técnica mas que precisa desenvolver um pouco mais de força e velocidade. Acredito que futuramente possa trazer mais alegrias. Por enquanto, não vejo muitas possibilidades de sucesso em provas fortes.
Acostumado com a sela de Baloubet, um dos melhores cavalos de todos os tempos, e que foi sua principal montaria por uma década e lhe deu seus principais títulos, Rodrigo Pessoa ainda tenta formar conjunto com Rufus.
Doda, na minha opinião o que terá melhor chance nesta Olimpíada, é o brasileiro melhor colocado no ranking da FEI. Sua égua Picolien, KWPN , é excelente e os dois estão melhorando a cada concurso e buscando uma sintonia perfeita.
Bernardo Alves é um bom cavaleiro, mas o animal que levará para Hong Kong, Chupa Chup 2 ainda não é o ideal para grandes provas, seu principal cavalo, o Canturo, vem se recuperando de uma lesão e não obteve bons resultados.
A quarta integrante da equipe é a Camila Mazza, a única e merecida estreante em Olimpíadas. Sua boa participação nas seletivas aquí no Brasil teve seguimento na Europa. Sempre constante, demonstrou confiança e conseguiu sua vaga com o Sela Belga Bonito Z, um excelente cavalo que se recuperou de uma doença neurológica e voltou a saltar em 2007 obtendo ótimos resultados logo de cara. Um animal com boa força, corajoso, técnico e, na minha opinião, o melhor cavalo em atuação no Brasil. Estão ainda na disputa por uma vaga: Pedro Veniss, Luis Felipe Azevedo, Totty e Yuri Mansur.
Os nossos concorrentes estão dois passos na frente. Possuem excelentes cavalos, bem treinados e com conjunto já formado. Sem contar a vasta experiência em provas deste nível.
Para mim, a equipe favorita é a da Alemanha. Formada por Meredith Beerbaum, excelente amazona, de muita técnica e frieza, nº1 do ranking da FEI, com seu cavalo Shutterfly, um Hanoveriano muito forte, experiente e rápido serão candidatos ao ouro no individual; Ludger Beerbaum, que dispensa comentários, montará All Inclusive, um Westfallen rápido, forte, técnico e corajoso, também candidato ao ouro individual e Christian Ahlmann/Cöster, Marco Kutsher/Cornet Obolensky são conjuntos magníficos.
A Inglaterra com John e Michael Whitaker, Tim Stockdalle e Ben Maher também são favoritos por equipes e darão trabalho no individual.
Os EUA com Beezie Maddem/Authentic, rápidos e técnicos, favoritos ao ouro; Laura Kraut/Cedric; McLain Ward/Saphire; Will Sinpson/El Campions serão favoritos ao ouro individual e por equipes.
Continua...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Triste realidade

Tenho observado em vários concursos de salto que participo uma triste realidade: cavalos mal trabalhados.
Não quero parecer pretencioso mas, essa é a verdade.
Em que pese a maioria deles seja destinada à escolinha ou para categorias fundamentais, os demais níveis também não fogem dessa constatação. São cavalos desequilibrados, com pescoço invertido, andaduras curtas, coluna arqueada e...faltosos! Tenho visto também alunos excessivamente confiantes montando com pernas bambas, mãos inseguras e dando trancos enormes nas sensíveis bocas dos cavalos. Também não escapa da minha visão o uso de embocaduras cada vez mais pesadas para compensar a falta de postura do cavaleiro para dominar as andaduras do cavalo.
Tudo isso é reflexo da grande demanda que o Hipismo nacional vem sofrendo. Alguns criadores, alunos e professores têm sido pressionado por esta demanda e a consequência disso são cavalos precoces, alunos despreparados disputando provas e professores pulando etapas do ensinamento básico de equitação.
Vamos com calma! A prática do Hipismo requer tempo e paciência para que possamos formar cavaleiros de nível internacional e cavalos que dispontem no mercado europeu.